Armando Frazão passou pelo Armazém

                               Foto: Filipe Oliveira


Lembram-se de vos ter perguntado se estavam preparados/as para ganharem um livro? Pois eis que é chegada a altura. Mas principalmente, é chegada a altura de conhecerem o homem por detrás do livro. Um talento na arte das palavras. Apresento-vos Armando Frazão.

Licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, Armando nasceu em Angola, "lá para os lados do sul, Namibe, e era lá que estava no 25 de Abril!" Assim começa esta nossa conversa, revelando desde cedo o seu lado bem disposto. Atualmente vive em Lisboa e é pela capital que vai tecendo estórias. 

A vontade de escrever só surgiu na altura em que entrou para a faculdade, "já pensava nisso de vez em quando" confessa. Diz ainda que "antes de escrever livros de ficção já tinha feito alguns manuais mais técnicos, mas definitivamente a coisa não era suficiente para satisfazer". Ele sempre gostou de escrever pequenas estórias, ou como ele refere, "de encontrar as estórias por trás das pequenas coisas. Mas curiosamente nunca passei de pequenas crónicas, normalmente aplicadas ao mundo natural." 

O momento mágico deu-se quando, de repente, na sua cabeça se começou a formar uma estória que durante meses foi-lhe alimentando a alma. A vontade de escrever já andava a "fermentar há muito mais tempo que isso. A ideia surgiu simplesmente na forma: É a altura certa para começar/experimentar escrever!" Passar da ideia ao ato, não foi imediato, mas acabou por ser rápido. A determinada altura, Armando percebeu que estava a escrever um livro.

O seu processo de criação é mágico - "Tudo começa com um sonho. Marado é claro, os meus sonhos são todos marados. Mas são geralmente bons sonhos, não me perturbam. Há outras pessoas que têm este mesmo tipo de inspiração e depois dizem que interpretam o sonho para tirar daí uma ideia coerente. Eu não pretendo de modo algum dizer que interpreto os meus sonhos. Sei lá fazer isso! O que faço é andar um tempo a matutar no sonho, a distorcê-lo, a acrescentar elementos conscientes e a tentar disso tudo criar um todo com algum tipo de coerência. Isto pode demorar dias ou meses. Depois dessa fase posso ficar com o final de uma estória, ou com o início, ou apenas com uma ideia geral sobre o que quero transmitir." A seguir, geralmente, vem a fase da pesquisa. Armando tenta completar ao máximo esta fase antes de iniciar o processo da escrita, propriamente dita. E termina dizendo "havendo tempo e disponibilidade para escrever com regularidade, o processo é normalmente muito fluído e nunca sei o caminho que a estória vai levar. A descoberta da estória ao escrevê-la é das coisas que mais me fascina nisto de escrever!"

E agora fazemos uma pausa! Armando disse que o o seu processo de criação era "Mágico!" Vejam só o que ele escreveu há poucos dias sobre isto:

síndroma da página em branco, foi algo que nunca experienciou - "a estória constrói-se sozinha, os personagens crescem e revelam-se sozinhos, as relações entre eles ficam evidentes à medida que a trama avança. E, por incrível que pareça, todo se costuma encaixar num todo coerente, sem demasiado esforço da minha parte. E quando digo que a estória se constrói sozinha, é ao nível dos personagens me darem a volta, de decidirem não ser o que eu pensava que eles eram e de me presentearem com surpresas frequentes, segredos e características que eu nunca pensaria que eles tivessem.É uma coisa viva!"

Armando tem dois livros publicados, "Sonhos da Atlântida" (2011) e "Pagwagaya" (2012), o livrinho do passatempo. Posso dizer-vos que os tenho cá em casa e um deles está na minha mesa de cabeceira, sinal de que vai ser lido em breve. Terminou no ano passado "A Revolta de Tuong" mas ainda não está publicado em papel. No entanto existe uma versão online, pouco revista, no seu website "que pode (e deve) ser lida na integra". E já tem mais dois livros começados. E diz ele que não escreve todos os dias! Um dos livros ainda não tem nome "está para aí a metade, ou a um terço, ou a um quarto, não sei!" O outro chama-se "Ukupacha" e supostamente seria o livro que Armando projetara terminar em 2013, "este está a um quarto, ou a um oitavo..." sorri.

Por esta altura Armando diz-me que lhe apetece divagar um pouco... Ok! Vamos divagar sobre o livro "A Revolta de Tuong"!

"Na passagem do ano 2012 para 2013 um amigo convidou-me a ir passar esses dias ao Algarve, numa casa que ele tem por lá de família. Tive um desses sonhos marados, desta vez não pela incoerência, que até não era assim tanta, mas por ser um sonho ao estilo ficção científica! Resolvi tirar umas notas para não esquecer a coisa. Mas bem, comecei a escrever as notas em formato de argumento porque fazia muito mais sentido que por tópicos... e só parei quando o livro estava terminado. Tuong é um humano que aceitou ser 
modificado/melhorado por uma raça extraterrestre para com isso ajudar a terminar o caos de violência que grassa na Terra. Mas afinal os extraterrestres têm outros objetivos escondidos e quando ele descobre..." Suspense...



E porque razão o livro "Ukupacha" ficou para trás? Armando diz que "ainda precisa de mais pesquisa antes de continuar a escrever." Vamos aguardar. Ele diz que não vai desistir, "é uma prequela dos «Sonhos da Atlântida», com as mesmas personagens centrais, que se passa nos Andes peruanos. A parte complicada deste livro é a pesquisa sobre o modo de vida tradicional do povo Quechua, da civilização Inca.Fiz uma viagem ao Peru há uns anos também com o objetivo de conhecer o local e as pessoas. Foi a viagem da minha vida. Mas foi fácil perceber que o que é mostrado ao turista é uma distorção forte do que na realidade é a mundividência daquele povo dos Andes. O livro é uma aventura de mistério, ao estilo dos «Sonhos da Atlântida». Mas pretende ser também uma viagem cultural, uma mostra da ligação daquele povo com a Terra, a sua cosmovisão. Se eu conseguir levar isto a cabo, vai ser um livro fenomenal!" Armando, nós temos paciência! Leva o tempo que quiseres. Afinal és tu que dizes que "se calhar, escrever por obrigação, não ia resultar."

Para este homem dos sonhos transformados em palavras, Tolkien parece ter sido o escritor que mais o marcou, "a sua criatividade objetiva é algo único. Tem sido largamente imitado, mas considero que ainda ultrapassa qualquer imitador e valorizo muito a originalidade." Um outro autor que refere é Paulo Coelho. No entanto diz "não concordo com tudo o que diz/escreve. Mas as perspetivas diferentes que mostra são uma grande ferramenta de aprendizagem e alargamento de horizontes." Num outro estilo, Neil Gaiman, também está na lista de favoritos de Armando "lindas estórias de fantasia! Provam que não é preciso ser intricado nem complexo para ser lindo." Também aponta Sepúlveda já que a ligação à natureza é algo que o fascina. E por fim uma senhora, Marion Zimmer Bradley. Confessa que só leu os 4 livros que compõem as «Brumas de Avalon» - "Delirei com os 3 primeiros. Mas depois é só desastres e eu estava tão envolvido na estória que o último livro me perturbou interiormente! Se calhar era isso que ela queria fazer, mas, não sendo uma estória que acabe bem, não gostei disso. Apesar de me ter marcado e de a considerar uma excelente escritora, resisto a ler mais livros dela."

Armando gosta de ler, mas não lê muito. Até terminar o seu curso "não tinha tempo nem pachorra para muita ficção, lia muito pouco, talvez um livro por ano. Depois veio o primeiro filme do Senhor dos Anéis e fui buscar os livros. No intervalo de 2 anos em que deram os 3 filmes li tudo o que havia para ler do Tolkien e, a partir daí a minha média aumentou.Depois comecei a escrever e, quando estou a escrever, não consigo ler livros arrebatadores. Acho que a média voltou a descer!Este ano que passou, enquanto escrevia a «Revolta de Tuong», foi um deserto de leitura!No início de dezembro tive um pequeno acidente, de que ainda estou a recuperar, mas que me deu muito tempo livre. Desde então li 3 livros."


Foto: Filipe Oliveira

Mas será que Armando consegue identificar o livro da sua vida? Apesar de referir que a pequena estória mais bonita que leu foi de Tolkien: "Leaf by Nigel" e apesar de confessar que o primeiro livro que escreveu é algo que nunca vai esquecer, remata com "O livro da minha vida não existe, não ainda pelo menos", sorri.

Uma outra curiosidade que não resisto a contar-vos é que Armando Frazão tem uma grande paixão - Fotografia. Ele já fez macrofotografia de insetos e aranhas durante muitos anos. Mas, "agora ando mais virado para paisagem, paisagem natural." Talvez por isso mesmo goste muito de fazer caminhadas e passeios pela natureza e adora observar aves. Existe um denominador comum nisto - "A paixão pela Terra, pela natureza."


                                     Foto: Alice Nunes
E antes de passarmos ao passatempo, Armando confessou-me o seu desejo para 2014: "Quero continuar a minha viagem, aprender coisas novas, crescer, melhorar se for possível.E ser feliz e fazer os outros que estão comigo felizes. Ah... era só um! Bolas, até os génios dão 3 desejos!"

E agora o PASSATEMPO! Como ganhar um "Pagwagaya"?
É só seguir os seguintes passos:

1. Façam "Gosto" na página de Facebook do Armando Frazão
2. Deixem um comentário neste post com uma frase alusiva ao livro "Pagwagaya" (para se inspirarem acedam aqui)
3. Têm até dia 31 de janeiro para participarem

Depois cabe ao Armando escolher a frase vencedora!
Boa sorte!


Onde adquirir os livros de Armando Frazão:

Na Livraria Barata em Lisboa (Av. de Roma, 11)
Na Livraria online do Sítio do Livro (www.sitiodolivro.pt)
Na Livraria/Papelaria 100 Riscos em Pedrógão Grande (a terra onde cresci)
Ou pedindo-lhe directamente através dos formulários de contacto do seu website pessoal ou do website dos livros. O seu segundo livro está com um desconto muito simpático nos locais oficiais de venda, mas com um desconto extra-especial se lhe for pedido directamente :) (http://www.armandofrazao.com/?a=20131130)


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